ProponenteChristine Branquinho Caseiro
Data Submissão:27-06-2025
A paragem cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência médica súbita que, se não for tratada de imediato, conduz rapidamente à morte. Estima-se que, em Portugal, ocorram anualmente entre 10.000 a 15.000 casos de PCR extra-hospitalar, com taxas de sobrevivência ainda reduzidas — cerca de 4 a 5% — quando não há resposta imediata (INEM, 2022).
A evidência científica é clara: cada minuto que passa sem desfibrilhação reduz as hipóteses de sobrevivência em 7 a 10% (ERC, 2021). Assim, uma resposta rápida e eficaz pode ser a diferença entre a vida e a morte. Embora o Suporte Básico de Vida (SBV) seja essencial, a utilização de um Desfibrilhador Automático Externo (DAE) nas fases iniciais da PCR pode triplicar as hipóteses de sobrevivência (AHA, 2020).
O DAE é um dispositivo seguro e de fácil utilização, concebido para ser operado por leigos treinados ou mesmo por cidadãos sem formação formal, graças às suas instruções sonoras claras e automatizadas. A sua disponibilização em espaços públicos de grande afluência tem sido promovida internacionalmente por organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a European Resuscitation Council (ERC).
Cidades que adotaram estratégias de instalação de DAE comunitários em locais públicos (como Oslo, Amesterdão, ou Lisboa) demonstraram uma redução significativa do tempo até à desfibrilhação e uma melhoria na taxa de sobrevivência com boa recuperação neurológica (Weisfeldt et al., 2010).
No caso concreto do Município de Leiria, há vários fatores que justificam de forma evidente a necessidade de implementar um programa de DAE comunitários:
• Realização frequente de grandes eventos com elevada concentração populacional, como o Festival ENTREMURALHAS, a Feira de maio, o Leiria Sobre Rodas, o Leiria Cidade Natal, Leiria Mediaval, que atraem milhares de pessoas num mesmo espaço físico e aumentam exponencialmente o risco de ocorrência de situações de emergência médica em locais de acesso limitado a cuidados imediatos.
• A existência do Percurso Polis, uma zona verde urbana privilegiada, que ao longo do Rio Lis é utilizada diariamente por centenas de pessoas para a prática de exercício físico — incluindo corrida, caminhada e ciclismo. Este tipo de atividade, sobretudo em pessoas com patologia cardiovascular conhecida ou fatores de risco, aumenta a probabilidade de ocorrência de uma paragem cardíaca súbita.
• Outras zonas de elevada afluência incluem, o novo Terminal Rodoviário, os centros escolares, os complexos desportivos, bem como a praça Rodrigues Lobo.
• A colocação estratégica de DAE nestes locais permitiria reduzir o tempo até à desfibrilhação, aumentar as hipóteses de sobrevivência e promover uma cultura de cidadania ativa e saúde pública participada.
Além disso, a instalação dos dispositivos deve ser acompanhada por ações de formação e sensibilização para a população, contribuindo para uma comunidade mais preparada, informada e solidária.
Este projeto está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, nomeadamente o ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, e constitui uma resposta concreta às necessidades reais da população de Leiria.
Objetivos:
• Instalar DAE em pontos estratégicos da cidade de Leiria e escolas do município;
• Promover ações de sensibilização e formação básica sobre Suporte Básico de Vida e uso do DAE;
• Reduzir o tempo de resposta à paragem cardiorrespiratória em ambiente extra-hospitalar.
Localização Proposta:
Sugere-se a instalação inicial de DAE comunitários em locais de grande afluência, completando aos que já existem no município:
- Percurso Polis
• Frequentado diariamente por pessoas que estão a praticar desporto (corrida, caminhada, ciclismo, etc)
• Skate Parque + Parque do Avião + Novo Terminal Rodoviário + Praça Rodrigues Lobo + Jardim da Vala Real + St. Agostinho (Parque “dos mortos”) + Parque Infantil dos caniços
- Escolas do 1º, 2º e 3º ciclo e Escolas Secundárias
• Existem 12 escolas que já se encontram com cobertura de DAE´s, necessitando mais 58 escolas desta proteção para toda a comunidade escolar
A localização definitiva poderá ser definida em articulação com os serviços municipais e proteção civil.
Com o valor associado ao orçamento participativo, pretende-se ir ao encontro dos seguintes objetivos específicos:
a) Colocação de 7 dispositivos DAE no percurso Polis (DAE´s comunitários) e 58 DAÉ´s nas escolas onde ainda não se encontra implementado.
b) Formação da totalidade de pelo menos 390 operacionais em SBV+DAE (6 por cada dispositivo colocado);
c) Realização de formações em SBV+DAE / masstraining no concelho, como forma de capacitar outros civis nesta temática.
Resultados Esperados:
• Leiria torna-se uma cidade mais segura e preparada para emergências cardíacas;
• Aumento da literacia em saúde da população;
• Salvar potencialmente vidas em casos de PCR;
• Estímulo ao envolvimento comunitário